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Pára-raios radioactivos

Pára-raios radioactivos

Os efeitos da radioactividade estão dependentes essencialmente da natureza da radiação do radionuclido, do seu tempo de vida, da quantidade assimilada e dos órgãos onde é acumulada. Nos organismos esses efeitos manifestam-se a nível somático e genético. A nível somático, a sua expressão máxima é a letalidade, que aumenta à medida que se progride na escala sistemática, sendo também elevada nos primeiros estados de desenvolvimento embrionário. A este nível são bastante frequentes doenças, como o cancro e a leucemia. No que diz respeito ao nível genético, a radioactividade é responsável por um aumento de mutações cromossomáticas, levando por vezes à inviabilidade dos gâmetas e ao aparecimento de mutações genéticas nas gerações vindouras.


Os pára-raios radioactivos

Alguns objectos à nossa volta contêm elementos radioactivos. No passado, a radioactividade foi utilizada em inúmeros objectos, no sentido de tirar partido dos seus efeitos. Actualmente a radioactividade é utilizada de forma mais consciente e controlada. O perigo reside especialmente no manuseamento e exposição em proximidade a objectos de que se desconhece a radioactividade.


Até ao momento foram listados mais de cinquenta destes objectos na Europa. Os mais conhecidos são antigos elementos das seguintes categorias: relógios luminescentes, lâmpadas de gás, fertilizantes, detectores de fumo e pára-raios. Os pára-raios radioactivos foram os primeiros de ionização artificial a existir. A sua vantagem consistia na utilização da ionização artificial do ar à sua volta, provocada pelo elemento radioactivo. Este facto permitia acelerar a ionização do ar em redor do elemento captor que se dá quando existe a aproximação do traçador descendente do fenómeno de descarga eléctrica atmosférica. Deste modo é possível emitir mais rapidamente o traçador ascendente e consequentemente obter um maior raio de protecção para o sistema.


O início do seu fabrico remonta à década de 30, embora em Portugal a sua comercialização só tenha sido iniciada no final da década de 50. Estes pára-raios terem sido instalados sem qualquer tipo de restrição, controlo ou registo de onde foram aplicados. O trabalho que a QEnergia tem vindo a desenvolver permite concluir que em Portugal foram instalados alguns milhares destes equipamentos. A tomada de consciência dos perigos da radioactividade surgiu em meados da década de 80, o que originou a criação de uma legislação que proibe o fabrico e importação de equipamentos deste género.


Os perigos dos pára-raios radioactivos

Pese embora a falta de informação sobre os pára-raios radioactivos instalados no passado, o trabalho realizado pela QEnergia nesta área permitiu-nos obter um largo conhecimento neste campo. Os pára-raios radioactivos instalados em Portugal são maioritariamente de rádio 226 (utilizados essencialmente até à década de 60), e amerício 241 (utilizados depois da década de 60). Os pára-raios de amerício têm riscos associados à exposição relativamente moderados, só se tornando perigosos no caso de exposições a distâncias muito curtas e por períodos longos (vários dias). Por outro lado, os pára-raios de rádio têm riscos extraordinariamente mais elevados. Em alguns casos é possível receber a dose anual máxima de radioactividade em apenas 5 minutos, para exposições a menos de 1 metro.


Pode existir a ideia de que os níveis de radioactividade dos pára-raios já não oferecem perigo, por estes terem sido instalados há algumas dezenas de anos. Nada mais errado! O amerício tem um período de vida de 433 anos (tempo necessário para o seu nível de radioactividade decair para metade), e o rádio um período de 16.000 anos!


O perigo de exposição à radioactividade quando os pára-raios se encontram no topo de estruturas é na maioria dos casos pequeno, visto que a sua radioactividade para distâncias de alguns metros é perfeitamente residual. As excepções prendem-se com situações de terraços normalmente utilizados por pesssoas, que deste modo ficam por longos períodos de tempo a curtas distâncias do pára-raios, ou nos casos de trabalhos realizados a curtas distâncias dos mesmos. No entanto, temos de ter em conta que a maioria destes pára-raios tem pelo menos 20 anos, o que significa que na sua generalidade se encontram em largo estado de deterioração. Efectivamente, a exposição destes pára-raios às condições atmosféricas (chuva, vento, corrosão, ambientes marítimos e captação de raios, etc.) podem deteriorar os recipientes radioactivos libertando para o exterior parte do seu conteúdo, aumentando drasticamente o perigo de contaminação de pessoas e do ambiente.


Os inúmeros trabalhos de recolha por nós realizados têm demonstrado a existência de muitos equipamentos cujo material radioactivo foi em parte perdido!


Outras desvantagens dos sistemas radioactivos é a possibilidade de existir reduzida ou nenhuma eficácia causada pelo envelhecimento e deterioração dos materiais, bem como a não existência de normas na época da sua montagem, que não permite à luz do quadro normativo actual garantir que o sistema seja eficaz. Foram inúmeros os fabricantes que até meados da década de 80 se dedicaram ao fabrico de pára-raios radioactivos. Este facto conjugado com a falta de informação e registo de onde estes foram colocados, torna muito difícil a identificação destes modelos.


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